A Paz do Senhor esteja contigo.

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Disse Jesus: Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome eu estarei presente.

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quinta-feira, 31 de março de 2011

Interpretação feminista do relato da criação - Leonardo Boff

Extraído do site da CEBI - Centro de Estudos Bíblicos
Interpretação feminista do relato da criação - Leonardo Boff


As teólogas feministas nos despertaram para traços antifeministas no atual relato da criação de Eva (Gn 1,18-25) e da queda original (Gn 3,1-19), o que veio reforçar na cultura o preconceito contra as mulheres. Consoante este relato, a mulher é formada da costela de Adão que, ao vê-la, exclama: "eis os ossos de meus ossos, a carne de minha carne; chamar-se-á varoa (hebraico: ishá) porque foi tirada do varão (ish); por isso o varão deixará pai e mãe para se unir a sua varoa: e os dois serão uma só carne"(2,23-25).

O sentido originário visava mostrar a unidade homem/mulher. Mas, a anterioridade de Adão e a formação a partir de sua costela foi, porém, interpretada como superioridade masculina. O relato da queda soa também antifeminista: "Viu, pois, a mulher que o fruto daquela árvore era bom para comer..tomou do fruto e o comeu; deu-o também a seu marido e comeu; imediatamente se lhes abriram os olhos e se deram conta de que estavam nus"(Gn 3,6-7).

Interpreta-se a mulher como sexo fraco, pois foi ela que caiu na tentação e, a partir daí, seduziu o homem. Eis a razão de seu submetimento histórico, agora ideologicamente justificado: "estarás sob o poder de teu marido e ele te dominará"(Gn 3,16).

Há uma leitura mais radical, apresentada por duas teólogas feministas, entre outras: Riane Eisler (Sacred Pleasure, Sex Myth and the Politics of the Body,1995) e Françoise Gange (Les dieux menteurs 1997) que aqui resumo. Estas autoras partem do dado histórico de que houve uma era matriarcal anterior à patriarcal. Segundo elas, o relato do pecado original seria introduzido no interesse do patriarcado como uma peça de culpabilização das mulheres para arrebatar-lhes o poder e consolidar o domínio do homem. Os ritos e os símbolos sagrados do matriarcado teriam sido diabolizados e retroprojetados às origens na forma de um relato primordial, com a intenção de apagar totalmente os traços do relato feminino anterior. O atual relato do pecado original coloca em xeque os quatro símbolos fundamentais do matriarcado.

O primeiro símbolo atacado é a mulher em si que na cultura matriarcal representava o sexo sagrado, gerador de vida. Como tal ela simbolizava a Grande-Mãe. Agora é feita a grande sedutora.

No segundo, desconstrói-se o símbolo da serpente que representava a sabedoria divina que se renovava sempre como se renova a pele da serpente.

No terceiro, desfigura-se a árvore da vida, tida como um dos símbolos principais da vida, gestada pelas mulheres, agora colocada sob o interdito: "não comais nem toqueis de seu fruto" (3,3).

No quarto, se distorce o caráter simbólico da sexualidade, tida como sagrada, pois permitia o acesso ao êxtase e ao conhecimento místico, representada pela relação homem-mulher.

Ora, o que faz o atual relato do pecado original? Inverte totalmente o sentido profundo e verdadeiro desses símbolos. Desacraliza-os, diaboliza-os e transforma o que era bênção em maldição.

A mulher é eternamente maldita, feita um ser inferior, sedutora do homem que "a dominará" (Gen 3,16). O poder de dar a vida será realizado entre dores (Gn 3,16).

A serpente será maldita, feita inimigo fidagal da mulher que lhe ferirá a cabeça mas que será mordida no calcanhar (Gn 3,15).

A árvore da vida e da sabedoria cai sob o signo do interdito. Antes, na cultura matriarcal, comer da árvore da vida era se imbuir de sabedoria. Agora comer dela significa perigo letal (Gn 3,3).

O laço sagrado entre o homem e a mulher é substituído pelo laço matrimonial, ocupando o homem o lugar de chefe e a mulher de dominada (Gn 3,16).

Aqui se operou uma desconstrução profunda do relato anterior, feminino e sacral. Hoje todos somos, bem ou mal, reféns do relato adâmico, antifeminista e culpabilizador como está no Gênesis.

Por que escrever sobre isso? É para reforçar o trabalho das teólogas feministas que nos apontam quão profundas são as raízes da dominação das mulheres. Ao resgatarem o relato mais arcaico, feminista, elas visam propor uma alternativa mais originária e positiva na qual apareça uma relação nova com a vida, com os gêneros, com o poder, com o sagrado e com a sexualidade.

[Leonardo Boff escreveu com Rose Marie Muraro o livro "Feminino&Masculino", Record 2010].

Felizes os seios que te amamentaram

Neste final do mês de março, mês dedicado as mulheres (8 de março), apresento uma oração dedicada a luta de todas as mulheres. Extraído do site da CEBI (Centro de Estudos Bíblicos)

Felizes os seios que te amamentaram
(Cf. Lc 11, 27)

Felizes os seios que te amamentaram.
Também querem ser felizes, ó Senhor,
os seios que se obrigam a se colocar à disposição
do culto ao deus Mercado.

Felizes os seios que te amamentaram.
Também querem ser felizes, ó Senhor,
seios mutilados por homens machistas,
cuja fraqueza está no abuso de sua condição masculina.

Felizes os seios que te amamentaram.
Também querem ser felizes, ó Senhor,
os seios de mulheres sofridas
dos quais pobres crianças sugar já não conseguem.

Felizes os seios que te amamentaram.
Também querem ser felizes, ó Senhor,
seios que jorram beleza serena e natural,
sem pressões ou imposições hipócritas.

Felizes os seios que te amamentaram.
Também querem ser felizes, ó Senhor,
seios de onde brota o leite do novo,
sonho incansável de tantas mulheres.

(Edmilson Schinelo)



quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O PAPEL DOS EX-SEMINARISTAS NA IGREJA

Um texto que trás uma importante reflexão sobre o valor e importância dos ex- seminaristas da Igreja no projeto Evangelizador e Missionário de Cristo enquanto um trabalho de aproveitamento de experiência de vida secular, pós seminario e a formação Cristã, convocando a união desses dons a serviço de Reino de Deus no mundo.

O PAPEL DOS EX-SEMINARISTAS NA IGREJA

Pe. J. B. Libanio, sj*
Vida Pastoral – janeiro-fevereiro 2011 – ano 52 – n. 276


As experiências passadas desempenham papel extremamente ambivalente na vida das pessoas. Umas servem de alento, de força vital, de incentivo para caminhar, crescer, abrir-se ao mundo. Outras paralisam, bloqueiam, inferiorizam as pessoas. É difícil entender por onde passa o divisor de águas. Tal constatação vale para os ex-seminaristas. Entre eles existem desde ateus e revoltados contra a Igreja, carregando escuras manchas do tempo de seminário, até pessoas que se comovem às lágrimas quando pensam nos idos da vida clerical.

Esse numeroso contingente de homens, hoje espalhado pelo país e fora dele, por profissões e atividades bem diversas, merece atenção pastoral especial. Além das habilidades que adquiriram depois da saída do seminário, muitos conservam excelente formação religiosa e teológica que prestaria valiosa contribuição para a comunidade eclesial.

Não temos a mínima ideia da riqueza humana e religiosa que os ex-seminaristas significam. Um primeiro passo para tomar pé nesse enorme oceano humano consiste em levantar-lhes os nomes e dados mínimos sobre a dupla experiência do tempo de seminário e depois dela. Acrescentar-se-ia a esse primeiro levantamento uma coluna de sugestões e de disponibilidade pastoral que oferecem. Que tal se alguma cúria ou secretariado de pastoral criasse um site de ex-seminaristas e então se conversasse com a finalidade de agrupá-los, pô- -los em relação entre si e com alguém que os coordenasse? Quanta proposta maravilhosa surgiria!

Certas pessoas dispõem de potencial incalculável, que, entretanto, não rende frutos por falta de ocasião ou de algum empurrãozinho inicial. Talvez nem lhes tenha ocorrido que, com a formação recebida no seminário diocesano ou religioso, contribuiriam altamente para o enriquecimento da vida da Igreja. A catequese, a pastoral da juventude, o ministério da escuta, a ajuda em campos específicos – psicológicos, jurídicos, técnicos e outros – encontrariam inúmeras pessoas disponíveis que, além dos talentos profissionais, trazem experiências espirituais de valor.

Os seminários e a vida religiosa já viram passar por seus muros multidões inumeráveis de jovens que guardam recordações positivas e gratidão pelo que receberam. Falta acordar sua memória e impulsionar-lhes o desejo de pôr em prática sonhos um dia acalentados. Mesmo em relação aos que sofreram traumas ou saíram marcados negativamente, há espaço para a reconciliação. Os antigos já nos semearam a memória com ditos segundo os quais o tempo é ótimo juiz das coisas, cura as feridas, lapida as pedras, abranda o ódio, muda a si e a nós com ele. Apostando no futuro, faz-se possível a dupla pastoral com os ex-seminaristas: de valorização de seu cabedal de riqueza espiritual, intelectual e humana e de “purificação da memória”.

Pe. J. B. Libanio, sj
* Doutor em Teologia pela Universidade Gregoriana
de Roma. Há mais de três décadas vem se dedicando ao magistério e à pesquisa teológica.
Tem vários livros publicados no Brasil e no exterior.
É vigário da Paróquia Nossa Senhora de Lourdes
em Vespasiano, na Grande Belo Horizonte-MG.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Um erro não justifica outro erro...(A intolerância aos símbolos religiosos x Intolerância da Religião).

A história mostra que a intolerância de poucos foi causa de guerras sem justificativa alguma, se é que há justificativa para “guerra” está somente pode ser uma guerra contra a injustiça, a fome, a desigualdade social, a miséria em todas as suas nuances, a exploração do homem pelo próprio homem, em última análise a estúpida ganância de um ser limitado, no tempo e no espaço, cuja curta duração de vida, em média, não ultrapassa os 75 anos de idade.

No mundo moderno, tecnológico e revolucionário contra antigos paradigmas busca – se o respeito a diversidade religiosa, de pensamento e isto impõe o respeito as muitas religiões e formas de pensar, logo, como muito bem pondera o autor protestante no texto, querer extinguir todo qualquer símbolo de religiosidade num pais, historicamente Cristão, além de ofender as origens e fundação histórica do pais, ainda pretende estabelecer um retrocesso da intolerância a diversidade religiosa e até de não ser religioso, ou seja, estabelecer a ditadura de uma determinada e pequena forma de pensar em detrimento de outras tantas, representadas pelo igual direito dos crentes em terem suas cruzes, imagens e santos, na parede e ou em cima de mesas de repartições públicas.

E nesse contexto, indago se proibir a pessoa de expressar sua Fé e historicidade no local de trabalho é Democracia ou intolerância? E a intolerância a diversidade não foi e não é uma causa perdida a humanidade como um toldo? Seja para religiosos ou ateus. Se a religião em certas épocas errou ou erra é certo os não religiosos quererem consertar um erro com outro erro, representado pela Intolerância aos religiosos, consubstanciado na proibição de ter cruzes e ou imagens em repartições públicas?

Ora, vivemos num pais democrático, se a tua “ausência de cruz” não pode me constranger, também a minha “Cruz” não tem o condão de constranger outros e viva a Liberdade e o Direito de expressão conquistados pela Modernidade e o estado Democrático de direito em que vivemos, no caso em tela, Brasil. Embora ironicamente e tragicamente, não obstante a Globalização e revolução tecnológica, a intolerância a diversidade de pensamento é uma mal que assola a humanidade e nos últimos tempos até o Cosmo, se pensarmos na destruição do planeta como um todo e dá repercussão desta mudança em todo o Universo, pois penso que ao contrário do que se afirma cientificamente que a “Natureza não dá pulos”, creio que às vezes literalmente salta de um estado para outro completamente e inexplicavelmente novo, este é um mistério para a ciência e uma esperança viva para os Religiosos.

Nesse contexto de globalização e revolução tecnológica a intolerância a diversidade é um verdadeiro paradoxo intransponível para o homem, um verdadeiro retrocesso da humanidade do homem e sua dignidade inerentes, e é nesse sentido, que para os que crêem e tem uma religião, uma Igreja, no caso em tela, Católica, que desde o Concilio Vaticano II, A igreja vem, tentando livrar – se desse vírus letal que corroia a humanidade, a Intolerância a diversidade e é nesse sentido que convocam a todos, leigos e não leigos, a mudarem, a melhorar, a aprender com o novo sem perder sua identidade do bem pregado por Jesus Cristo há mais de dois mil anos atrás, aliais, literalmente pregado na Cruz da Redenção, pois um verdadeiro Cristão não pode ser intolerante ao seu próximo, nem que este próximo seja um ateu, nem que seja uma mulher, nem que seja outra forma de viver o Cristianismo. É por isso que a Igreja de hoje conclama a todos democraticamente a não esperar dos seus párocos e religiosos apenas o que dever se feito e vivido por todos, qual seja, formarem – se e instruírem – se para VIVER o ser Cristão no mundo e na Igreja para um mundo melhor mais digno a todos, com absoluto respeito a diversidade que é inerente a própria criatura humana, conforme graça e dom indistinto concebidos pelo Batismo em Cristo, que mais que no corpo, deve ser sentido e vivido no coração, pois a vida do homem pode ser curta, limitada, mais seu espírito não é limitado nem pelo tempo nem pelo espaço, seu espírito é infinito, como Deus, como todo o Universo, pois se somos poeira de estrela como dizem os cosmologista, a Bíblica já o disse antes mesmo do homem “inventar” o telescópio, tu és pó e ao pó voltaras...Mas Deus insuflou nas narinas do homem de barro o espírito vivo de senhor.